Não bastasse ter que aturar os síndicos malas com seus pedidos surpreendentes, os funcionários do prédio reclamando do seu ouvido porque VOCÊ não pagou a hora extra que ELE não informou na folha de ponto, o inadimplente reclamando porque VOCÊ enviou uma carta cobrando o condomínio que ELE não paga há 3 meses, e essas coisas que vocês já estão acostumados a ler por aqui, chegar até o trabalho é uma tarefa complexa e desgastante em alguns casos.
Em tempos mais tranqüilos eu pegava um frescão (para quem não sabe ou não mora no Rio, são ônibus iguais aos de viagem, com ar-condicionado, que fazem o mesmo itinerário que algumas linhas comuns), ia curtindo uma boa música e relaxando, me preparando psicologicamente para o duro (ops) dia de trabalho que teria pela frente.
Mas como nem tudo na vida são flores, o excelentíssimo filho de uma boa senhora meu patrão, resolveu, numa reunião com os outros donos de administradoras, mudar o horário de funcionamento, adiantando em meia hora o início do expediente, isso, além de me fazer dormir menos, fez com que eu não conseguisse mais pegar o frescão, já que sempre saio atrasado de casa e se eu pegá-lo certamente chegarei atrasado também no trabalho, o que conseqüentemente me fará perder o emprego, logo, tive que buscar alternativas para chegar mais rápido ao centro do Rio.
No início, como eram tempos mais abastados, pegava uma van, que apesar de não ser tão confortável como um ônibus de viajem, ainda tinha ar-condicionado e música a bordo, com a vantagem de ser mais rápido… só que em pouco tempo o bolso gritou, no frescão eu pagava a passagem com meu atestado de pobreza vale transporte, coisa que a van não aceitava, visto que se trata de um transporte ilegal alternativo, não rola gastar mais de R$ 100,00 por mês de passagem só de ida ao trabalho.
Como ir de carro para o trabalho é uma coisa fora de questão por dois motivos básicos, primeiro estacionar no centro do Rio é tão difícil quanto encontrar alguém que ache a Dercy Gonçalves gostosa hoje em dia e segundo porque eu (ainda) não tenho carro, tentei o ônibus comum, mas desisti, levava o mesmo tempo que o frescão e ia igual a lata de sardinha, optei pelo trem.
No começo só alegria, durante a primeira semana dei sorte e peguei carros novos, todos com ar-condicionado, um pouco cheios é verdade, mas nada que não fosse possível suportar, afinal, a viajem leva apenas 15 minutos, sim, o mesmo trajeto que o ônibus leva uma hora, depois reclamam do trânsito de São Paulo, com o tempo a coisa foi piorando, os trens novos pararam de circular (ou se tornaram velhos…) e não tinham mais ar- condicionado, vagões cada vez mais cheios, mas ainda assim valia a pena, afinal são só 15 minutos de viajem, mas hoje não deu……..
Sinceramente hoje foi a gota d’água, suportar viajar espremido igual a sardinha em lata, eu agüento, aturar aquelas senhoras que acordam e tomam banho com aqueles perfumes da Avon furrecas (sem preconceitos, mas tem uns que são insuportáveis) eu agüento, viajar do lado de um cidadão que acordou e já está com cheiro de gambá, com aquele CC de arder o nariz, eu agüento, fazer isso tudo junto sob um sol de 40º do verão carioca, eu agüento, mas CAGAR no banco do trem já é demais!!!!!
Isso mesmo meus amigos, algum cidadão simplesmente, do alto do seu desespero intestinal, arriou as calças e defecou no assento do trem…. Não, eu não vi o meliante cometendo o crime, quando adentrei ao vagão a “obra” já estava pronta, mas não foi andando sozinha que aquela merda toda foi parar ali, certamente a cena descrita acima ocorreu em algum trecho da viajem, anterior a minha estação, e o pior, quando percebi que o cheiro de merda que eu sentia não se tratava de alguém que, inadvertidamente, pisou num “caco de vidro” antes de entrar na estação, as portas já haviam se fechado, resultado: foram os 15 minutos mais longos da minha vida, repletos do mais puro desespero e sofreguidão, quando finalmente cheguei a estação final (a minha é a penúltima do ramal) o alívio e a dúvida, o que mais falta agora acontecer???
E tem gente que ainda acha fácil a vida de gerente de condomínio……

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